País do futuro tem tudo para ser o Brasil do presente

2018-03-15T11:01:50-02:00 15/03/2018|Categories: Artigos, Valor Econômico|Tags: , , , |

*Luiz Eduardo Portella

O Brasil sempre foi o país do futuro. Somos um dos poucos países com a riqueza proporcionada pela nossa extensão continental e demografia privilegiada. O país que ainda precisa de grandes investimentos em infraestrutura e ainda tem muito a avançar no desenvolvimento da economia. Temos um mercado consumidor que atrai as grandes empresas globais.

Apesar de todo o potencial e as oportunidades que o Brasil oferece, não conseguimos sair da narrativa de ser o país do futuro. Perdemos muito tempo com políticas econômicas equivocadas que tornaram o Estado cada vez mais inchado, privilegiando pequenos grupos da sociedade. A guinada que a equipe econômica atual deu no rumo do Brasil trouxe a narrativa do país do futuro para o país do presente.

Cada governo teve sua contribuição ao longo dessas últimas décadas. Collor abriu a economia brasileira para o mundo. FHC controlou a inflação com o Plano Real. O governo Lula mostrou para o mundo que podemos ter um governo de esquerda mantendo uma política econômica de austeridade e com inclusão social, enquanto o de Dilma mostrou para a população que podemos retroceder vários anos com políticas econômicas equivocadas.

O governo atual está proporcionando uma grande transformação na economia brasileira, similar ou até maior que a de FHC. Teve a coragem de usar sua baixa popularidade para adotar as políticas econômicas corretas e enfrentar os privilégios de pequenos grupos da sociedade. O governo voltou a controlar a inflação; recuperou a credibilidade da política monetária nomeando uma equipe técnica com total independência para cumprir o sistema de metas de inflação; impediu o desastre do desequilíbrio fiscal, revertendo a tendência de descontrole das finanças públicas com uma excelente equipe econômica; iniciou uma ampla agenda de privatizações e concessões; realizou a reforma trabalhista, protegendo pela primeira vez quem ajuda na criação dos empregos, o empresário; melhorou a governança das estatais com a nomeação de nomes do mercado, como Pedro Parente para a Petrobras; fortaleceu as agência reguladoras com regras mais claras.

Todas essas medidas proporcionaram a retomada da confiança e do crescimento econômico e, o principal, afastou o temor de uma reviravolta política que nos distanciasse da democracia para flertar com o sistema bolivariano dos nossos vizinhos.

As projeções dos analistas para 2018 já chegam em 3% de crescimento para o PIB e inflação ao redor de 3,60%. Se continuarmos com esse modelo mais liberal, imagine o tamanho do ciclo positivo no qual o Brasil pode entrar.

Todo o debate sobre alterar as regras da Previdência trouxe a discussão do fim dos privilégios em relação ao setor público. O debate em relação ao tamanho do Estado não está mais restrito ao mercado financeiro, já faz parte do cotidiano da população. Os pré-candidatos à eleição já estão perdendo o medo de falar sobre privatização por parte do Estado e retirada de privilégios.

Estamos prontos para eleger um candidato reformista e liberal. Já posso imaginar nos debates eleitorais um candidato querendo cortar mais ministérios do que o outro e discussões sobre quem vai privatizar mais. Essa crise mudou a narrativa da população e temos uma oportunidade única de avançar em uma agenda positiva extensa que pode durar no mínimo mais oito anos, assumindo que o próximo presidente se reeleja.

O cenário externo ainda permanece benigno e o crescimento mundial deve continuar atraindo fluxos para os países emergentes, em especial para o Brasil. As commodities terminaram um grande ciclo de queda e agora esboçam iniciar uma recuperação.

Um ciclo positivo de commodities pode ajudar a impulsionar a economia brasileira da mesma forma que ajudou o ciclo positivo do governo Lula. Políticas liberais na economia e um externo favorável vão ser uma combinação explosiva para a economia brasileira e para os preços dos ativos locais.

O Brasil nunca conviveu com juro real baixo e inflação estável em um patamar compatível com outros emergentes de forma sustentável. Nunca houve um ambiente tão favorável para o empresário investir. Nosso mercado de capitais vai se desenvolver, impulsionando a economia brasileira e melhorando a vida da população. É um Brasil que sempre esteve no futuro como um sonho distante e que agora se torna realidade.

O país do futuro tem tudo para ser o Brasil do presente.

 

*Luiz Eduardo Portella é sócio-gestor do Modal Asset Management